Neste estudo, partirei do princípio de que o livro é central na alfabetização escolar e de que a regimentalização da escola, inerente e necessária à República, teve uma política concertada sobre a leitura, o livro e muito particularmente sobre o livro escolar. Essa intervenção foi no sentido da actualização, científica e pedagógica, e da conciliação de um ideário de progresso e patriotismo. Prosseguia assim a centralidade de uma escolarização e de uma aculturação assentes no livro, revista com o Iluminismo de Estado e regulamentada pelos Liberais. Para além dos aspectos político-pedagógicos, em virtude dos quais, a leitura e o livro (particularmente o livro escolar) estiveram inseridos na alçada do Conselho Superior de Instrução Pública, concretava-se, nas sucessivas Comissões técnicas, que o substituíram, a idiossincrasia entre a república das letras e a república de cidadãos, cumprindo a escola uma função pragmática e legitimadora da hierarquia e da constituição sociopolítica.
Magalhães, Justino (2011). A República e o Livro Escolar. In Proença, Maria Cândida (Coord). Educar. Educação para Todos. Ensino na I República. Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República – CNCCR, 1910, pp. 98-111