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NASCER E CRESCER
revista do hospital de crianças maria pia ano 2006, vol XV, n.º 1
41qual o seu diagnóstico
Hoje vamos apresentar o caso de uma doente de 5 anos de idade, enviada à consulta de Gastrenterologia por rector- ragias.
A doente era fi lha de pais jovens, saudáveis e não consanguíneos, nasceu de parto eutócico após gravidez de termo sem intercorrências, com peso de 3250gr e apgar 9/10. A doente não tinha antece- dentes patológicos, apresentava evolução estaturo ponderal e psicomotora normal e o trânsito intestinal com tendência para obstipação. Dois meses antes da consul- ta começou a notar a presença esporádi- ca de sangue nas fezes, não associada à presença de muco e sem proctalgia; refe-
ria por vezes dor abdominal hipogástrica que calmava após as dejecções. Três se- manas antes da nossa observação teve episódio de rectorragias abundante com emissão de coágulo e acompanhada de ligeiro mal estar abdominal.
O exame objectivo revelava doente com bom estado geral, peso de 19Kg(p 50) e estatura 1,6m (p10-25), com mu- cosas coradas. O exame abdominal não evidenciava alterações nomeadamente áreas dolorosas ou organomegalias. A região anal não apresentava fi ssuras ou eritema. O estudo analítico efectuado duas semanas antes (Hemograma com plaquetas e VSG, estudo da coagulação,
Ionograma e ureia, função renal e hepá- tica e proteinograma, sumária de urina e parasitológico de fezes) era normal.
A doente realizou colonoscopia total que permitiu observar no recto a 5cm do canal anal o aspecto que mostramos na fi gura anexa. O restante exame não evi- denciou alterações. Qual lhe parece o diagnóstico mais cor- recto:
1 – Lesão traumática do recto 2 – Variz rectal 3 – Pedículo de polipectomia 4 – Hiperplasia linfoide
Caso Endoscópico
Fernando Pereira1
__________
1 Serviço de Gastroenterologia do Hospital de Crianças Maria Pia, Porto
Figura 1
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NASCER E CRESCER
revista do hospital de crianças maria pia ano 2006, vol XV, n.º 1
42 qual o seu diagnóstico
COMENTÁRIOS A situação apresentada é de uma
criança do sexo feminino saudável que teve episódio de rectorragias com emissão de coágulo e associado a dor hipogástrica. A imagem que observamos mostra uma estrutura polipoide com cerca de 5mm de comprimenro, com extremidade distal irre- gular e ulcerada e rodeada na base por mucosa com aspecto em pele de galinha. Esta imagem corresponde ao coto do pe- dículo de pólipo existente no local e que foi alvo de polipectomia espontânea. Não se verifi cando hemorragia activa ou sinais de hemorragia recente não foi efectuada qualquer atitude terapêutica sobre a lesão descrita. A doente foi seguida na consulta de gastrenterologia durante 6 meses não
se verifi cando qualquer episódio de rec- torragias ou dor hipogástrica. Quanto às outras hipóteses formuladas, a lesão não tem características vasculares, a hiperpla- sia linfoide caracteriza-se por pequenos nódulos múltiplos com 2-3mm de base séssil e as lesões traumáticas apresentam aspecto ulcerativo ou equimótico que não vemos nesta imagem.
Embora com pouca frequência acontece por vezes a polipectomia es- pontânea de lesões colorectais, provo- cando uma hemorragia mais abundan- te que o habitual e com resolução sem necessidade de tratamento. A realização de endoscopia pouco tempo após a ocor- rência permite observar o aspecto agora descrito. A evolução é benigna.
Nascer e Crescer 2006; 15(1): 41-42
BIBLIOGRAFIA
- Pereira F A C; “Pólipos do Colon e do recto na Criança – Revisão 93-2000. “ Acta Pediatri Port 2002; 33(3), 153- 155.
- Warren Hyer, Iain Beveridge, Paola Domizio and Robin Phillips; «Clini- cal Managemente and Genetics of Gastrointestinal Polyps in Children»; Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition, 2000; 31:469-479
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revista do hospital de crianças maria pia ano 2006, vol XV, n.º 1
41qual o seu diagnóstico
Hoje vamos apresentar o caso de uma doente de 5 anos de idade, enviada à consulta de Gastrenterologia por rector- ragias.
A doente era fi lha de pais jovens, saudáveis e não consanguíneos, nasceu de parto eutócico após gravidez de termo sem intercorrências, com peso de 3250gr e apgar 9/10. A doente não tinha antece- dentes patológicos, apresentava evolução estaturo ponderal e psicomotora normal e o trânsito intestinal com tendência para obstipação. Dois meses antes da consul- ta começou a notar a presença esporádi- ca de sangue nas fezes, não associada à presença de muco e sem proctalgia; refe-
ria por vezes dor abdominal hipogástrica que calmava após as dejecções. Três se- manas antes da nossa observação teve episódio de rectorragias abundante com emissão de coágulo e acompanhada de ligeiro mal estar abdominal.
O exame objectivo revelava doente com bom estado geral, peso de 19Kg(p 50) e estatura 1,6m (p10-25), com mu- cosas coradas. O exame abdominal não evidenciava alterações nomeadamente áreas dolorosas ou organomegalias. A região anal não apresentava fi ssuras ou eritema. O estudo analítico efectuado duas semanas antes (Hemograma com plaquetas e VSG, estudo da coagulação,
Ionograma e ureia, função renal e hepá- tica e proteinograma, sumária de urina e parasitológico de fezes) era normal.
A doente realizou colonoscopia total que permitiu observar no recto a 5cm do canal anal o aspecto que mostramos na fi gura anexa. O restante exame não evi- denciou alterações. Qual lhe parece o diagnóstico mais cor- recto:
1 – Lesão traumática do recto 2 – Variz rectal 3 – Pedículo de polipectomia 4 – Hiperplasia linfoide
Caso Endoscópico
Fernando Pereira1
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1 Serviço de Gastroenterologia do Hospital de Crianças Maria Pia, Porto
Figura 1
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NASCER E CRESCER
revista do hospital de crianças maria pia ano 2006, vol XV, n.º 1
42 qual o seu diagnóstico
COMENTÁRIOS A situação apresentada é de uma
criança do sexo feminino saudável que teve episódio de rectorragias com emissão de coágulo e associado a dor hipogástrica. A imagem que observamos mostra uma estrutura polipoide com cerca de 5mm de comprimenro, com extremidade distal irre- gular e ulcerada e rodeada na base por mucosa com aspecto em pele de galinha. Esta imagem corresponde ao coto do pe- dículo de pólipo existente no local e que foi alvo de polipectomia espontânea. Não se verifi cando hemorragia activa ou sinais de hemorragia recente não foi efectuada qualquer atitude terapêutica sobre a lesão descrita. A doente foi seguida na consulta de gastrenterologia durante 6 meses não
se verifi cando qualquer episódio de rec- torragias ou dor hipogástrica. Quanto às outras hipóteses formuladas, a lesão não tem características vasculares, a hiperpla- sia linfoide caracteriza-se por pequenos nódulos múltiplos com 2-3mm de base séssil e as lesões traumáticas apresentam aspecto ulcerativo ou equimótico que não vemos nesta imagem.
Embora com pouca frequência acontece por vezes a polipectomia es- pontânea de lesões colorectais, provo- cando uma hemorragia mais abundan- te que o habitual e com resolução sem necessidade de tratamento. A realização de endoscopia pouco tempo após a ocor- rência permite observar o aspecto agora descrito. A evolução é benigna.
Nascer e Crescer 2006; 15(1): 41-42
BIBLIOGRAFIA
- Pereira F A C; “Pólipos do Colon e do recto na Criança – Revisão 93-2000. “ Acta Pediatri Port 2002; 33(3), 153- 155.
- Warren Hyer, Iain Beveridge, Paola Domizio and Robin Phillips; «Clini- cal Managemente and Genetics of Gastrointestinal Polyps in Children»; Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition, 2000; 31:469-479
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