Background: Cotard’s Syndrome (CS) is a rare and severe neuropsychiatric condition in which the central feature is the existence of nihilistic delusions. Controversy has ensued about the precise clinical picture Jules Cotard meant to describe and attempts have been made, more recently, not only to clarify the terminology, but also to define different types of this syndrome and explore its biological basis.Aims: We intend to briefly review the terminology, etiology, epidemiology and differential diagnosis of this syndrome, based on two clinical cases.Methods: Bibliographic search conducted through the electronic databases Medline and Gallica (French National Library), consultation of clinical records and direct interviews with the patients.Results and Conclusions: Typically the patients diagnosed with CS manifest the delusional idea that they are dying or already dead. However, it is also possible that they deny the existence of only some parts of their own body, or the functioning of some organs, and they may even sometimes deny the existence of the external world. We illustrate the case of a 66-year-old woman, diagnosed with bipolar affective disorder, admitted in the context of a severe depressive episode with psychotic symptoms, compatible with CS type II and the case of a young male aged 22, admitted due to a first psychotic episode with schizophrenia like characteristics, presenting with nihilistic delusions compatible with CS type I.
Introdução: A Síndrome de Cotard (SC) é uma Síndrome neuropsiquiátrica rara e grave, cuja característica central é a existência de delírios niilistas. Tem surgido controvérsia relativamente ao quadro clínico que Jules Cotard descreveu e recentemente têm sido feitas tentativas, não só para clarificar a terminologia utilizada, mas também para definir diferentes subtipos desta síndrome e explorar as suas bases biológicas.Objetivos: Rever sumariamente a terminologia, etiologia, epidemiologia e diagnósticos diferenciais desta síndrome, a propósito da descrição de dois casos clínicos.Métodos: Pesquisa bibliográfica através das bases de dados eletrónicas Medline e Gallica (Biblioteca Nacional de França), consulta de registos clínicos e entrevistas diretas com os doentes.Resultados e Conclusões: Tipicamente os doentes diagnosticados com SC verbalizam a ideia delirante de que estão mortos ou prestes a morrer. Podem, no entanto, negar apenas a existência de partes do corpo ou do funcionamento de órgãos, ou chegar mesmo a pôr em causa a própria existência do mundo externo. Ilustramos o caso de uma doente de 66 anos com o diagnóstico de perturbação afetiva bipolar, admitida no contexto de um episódio depressivo grave com sintomas psicóticos, compatível com o tipo II da SC, e o caso de um jovem de 22 anos admitido por um primeiro surto psicótico com características esquizomorfas, que apresentava delírios niilistas configurando uma SC tipo I.