Os devastadores conflitos que acompanharam
a desagregação dos estados multinacionais
comunistas na década de 90 estiveram na base
das muitas análises que traçaram um paralelo
entre duas transições de ordens internacionais:
a de 1919 e a de 1989-91. Em ambos os casos,
a cultura política das elites envolvidas na criação
de novos estados independentes haveria de
revelar-se altamente nociva para a constituição
de uma ordem política mais liberal no espaço
dos antigos impérios. A grande diferença é que,
pelo menos, a ordem de Versalhes possuía uma
doutrina consistente para lidar com o desafio do
nacionalismo étnico, a qual assumiu a forma de
um regime internacional de protecção das minorias,
garantido pela SDN. Daí, talvez, a tendência
recente para a reabilitação do Acordo de
Versalhes, depois de durante décadas este ter
sido alvo de uma persistente difamação por
parte da historiografia internacional.