A leitura como um processo cognitivo
Figueiredo, Olívia Maria
1999-01-01
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Em 1512 Gil Vicente levou ao palco o seu Auto do Velho da Horta, anunciado como farsa na didascália inicial. O género e também o enredo aí resumido (os amores de um velho por uma moça, os enganos da alcoviteira) prefiguram uma peça cómica e prometem risos.
Revemos neste artigo alguns aspetos do cómico na peça, à luz da bibliografia e das diferentes leituras de que foi objeto. Julgamos que persistem interrogações pertinentes sobre a prevalência, ou não, da dimensão lúdica da peça, veículo facilitador da ação moralizadora que se pretendia exercer no espaço da corte, e sobre uma matriz mais universalista que lhe está subjacente na abordagem de tópicos literários como o do mundo às avessas ou o da loucura amorosa.
Explicita-se a origem, metodologia e critérios de seleção e edição dos textos do volume.
Este volume reúne alguns dos mais importantes textos que, sobre a Literatura e Cultura Lusófonas, foram apresentados no decurso do II Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa
Partilha de objectos,métodos e temas entre História e Literatura.
D. Dinis foi um poeta tardio dentro da tradição trovadoresca galego – portuguesa, mas essa condição não implica que a sua poesia apresente marcas de decadência ou esgotamento dos respectivos códigos poéticos. Pelo contrário, o que constatamos é uma capacidade de renovação do cânone e uma recepção muito criativa de temas e formas poéticas da poesia trovadoresca extra-peninsular, que ele também conhecia.
Entre a tradição e a renovação, o poeta D. Dinis avulta como o grande representante português de uma riquíssima produção lírica que reuniu personalidades poéticas de diversos quadrantes e distintas origens sociais na Península Ibérica ao longo de um século e meio.
A recepção de Juan de Mena em Portugal (sécs. XV-XVI).
Na comunicação procuraremos sistematizar algumas informações sobre as relações do poeta com personalidades portuguesas do seu tempo, como o Infante D. Pedro (Regente) e com o seu filho, o Condestável D. Pedro, e mostrar como foi reconhecida em Portugal a autoridade poética de Juan de Mena. Centraremos a nossa atenção particularmente na poesia do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende (ed. 1516) e nas diferentes referências a Mena, quer através da evocação da sua poesia, da citação dos seus versos, e mesmo da simulação da sua voz poética.
Palavras-chave: Juan de Mena, poesia, recepção em Portugal.
Referências:
DIAS, Aida Fernanda, O Cancioneiro Geral e a poesia peninsular de quatrocentos. Contactos e sobrevivência, Coimbra, Almedina, 1978.
DIAS, Aida Fernanda, Cancioneiro Geral de ...
Breve estudo da história de Dido na obra de Alfonso X, Estoria de España (c.1270). Trata-se de uma crónica geral da Espanha, texto fundador da historiografia peninsular em língua vulgar, caracterizado pelo enfoque territorial da matéria histórica, cujo alcance remonta aos tempos bíblicos do Dilúvio e aos primórdios do povoamento da Europa. É no âmbito da história romana e a pretexto da importância que nela teve a cidade de Cartago que o compilador insere o relato da fundação da cidade africana. Assim, encontramos Dido, primeiro ainda em Tiro e depois navegando pelo Mediterrâneo, carregando o seu tesouro, em demanda de um espaço seguro, não de acolhimento mas de povoamento e exercício do poder.
O estudo foca-se na construção desta magnífica personagem feminina que emerge da literatura e da história da Antiguidade e que a tradição cultur...
Velho da Horta, uma farsa para rir?
Foi há 500 anos atrás que Gil Vicente levou ao palco o seu Auto do Velho da Horta, anunciado como farsa na didascália inicial. O género e também o enredo aí resumido (os amores de um velho por uma moça, os enganos da alcoviteira) prefiguram uma peça cómica e prometem risos.
Tentaremos nesta comunicação rever alguns aspetos do cómico na peça, à luz da bibliografia e das diferentes leituras de que foi objeto. Julgamos que persistem interrogações pertinentes sobre a prevalência, ou não, da dimensão lúdica da peça, veículo facilitador da ação moralizadora que se pretendia exercer no espaço da corte, e sobre uma matriz mais universalista que lhe está subjacente na abordagem de tópicos literários como o do mundo às avessas ou o da loucura amorosa.
Anrique da Mota é um dos poetas mais conhecidos do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, sobretudo pela valorização de alguns dos seus diálogos dramáticos, vistos como precursores do teatro vicentino. Entre eles avulta o famoso Pranto do Clérigo, marcado pela crítica contundente a vícios do clero, nomeadamente a vida de mancebia e o apreço pelo vinho, que é o motivo central do lamento da personagem. Propomos apresentar um pequeno estudo sobre a poesia deste autor, centrando-nos, contudo, noutros textos, igualmente inspirados no tema do vinho, mas que são menos complexos e que não têm sido igualmente valorizados. Pertencem ao conjunto dos poemas vocativos, dirigidos a outros poetas, o que constitui um artifício muito comum na poesia do Cancioneiro. Oscilam entre o registo discursivo jocoso e a sátira violenta, evidenciando o gosto de ...
O artigo apresenta os principais autores, obras, tendências e movimentos da literatura de língua e autoria portuguesas, desde a Idade Média até à contemporaneidade. Procura igualmente destacar motivos tópicos e alguns traços identitários de relevo.
